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terça-feira, 7 de junho de 2011

MÚSICA & FILMES: DIVERSÃO GARANTIDA

A química é perfeita: uma história de vida entremeada por música de boa qualidade. Alguns filmes, que não são considerados musicais (na maioria das vezes, um drama), conseguem agradar seguindo esta fórmula que transformou Retratos da Vida (Les Uns et les autres, de 1981) num genial registro de Claude Lelouch acompanhando as vidas de alemães, norte-americanos, russos e franceses ao longo de décadas e como suas vidas foram mudadas pela II Guerra Mundial. Contando com um elenco extraordinário (James Caan, Robert Houssein, Geraldine Chaplin, Nicole Garcia e Fanny Ardant, entre outros) Retratos da Vida é, sem dúvida, um dos filmes mais marcantes de sua época e continua encantando platéias do mundo inteiro. Nunca Bolero, a sensacional composição de Ravel, recebeu uma homenagem tão magnífica e tocante como na cena final, sob a Torre Eiffel, em Paris: a coreogragia de Maurice Bèjart para o bailarino argentino Jorge Donn (foto). Magnífico. Algumas idéias do filme Lelouch voltaria a usar em Adeus, Meninos (Au Revoir les Enfants, 1987). Ainda na categoria de obras-primas não necessariamente um musical clássico, quem não se encanta ainda hoje com New York, New York (idem, 1977), pequena obra-prima de Martin Scorcese (um dos maiores cineastas de toda a história do cinema mundial), com interpretações magistrais de Robert de Niro e Liza Minelli? O registro da cantora para a música título (que depois ficaria famosa com Frank Sinatra) é magistral. Para não mudar de família, ainda há Nasce Uma Estrela (A Star Is Born, 1954), primeiro filme colorido de George Cukor. Aqui, Juddy Garland (mãe de Liza Minelli) e James Mason carregam com competência a fita que mostra a ascensão de uma estrela (Juddy) e a queda de outra (Mason). Destaque para as músicas de Harold Arlen e Ira Gershwin, que pontuam toda a trama. Três oportunidades magníficas de assistir filmes de qualidade e música idem. Obs.: resolvi trazer os textos que havia publicado em outro blog, hoje abandonado, já que se tratam de filmes importantes, belíssimos e que devem ser vistos antes de morrer.

O ASSALTO AO TREM PAGADOR

Como no primeiro post desta página falei sobre um filme do diretor Roberto Farias (para quem não sabe, irmão do Reginaldo Farias e um dos mais importantes de toda a história do cinema brasileiro), neste segundo post (prometo que os próximos não irão demorar tanto), volto a comentar sobre um outro filme dele que me impressionou bastante. Na primeira vez que o vi, ainda era pré-adolescente e fiquei impressionado com a qualidade de O Assalto ao Trem Pagador, um filme brasileiro de 1962, do gênero policial. É baseado em fatos, o assalto ao trem de pagamentos da Central do Brasil ocorrido em 1960, no Rio de Janeiro. Enquanto a polícia chega a suspeitar de uma quadrilha de bandidos internacionais pela ousadia do plano, os assaltantes se misturam à realidade da pobreza e da violência brasileiras. É um dos filmes mais importantes do cinema brasileiro e conta com um elenco afiado e de grande qualidade, partindo-se do protagonista, Tião Medonho, vivido pelo ator Eliezer Gomes. Pelo filme ele ganhou os prêmios de melhor ator do Festival de Cinema da Bahia; Revelação no V Festival de Cinema de Curitiba e Revelação no Troféu Cinelândia. Morreu em 1979, aos 58 anos, vítima de um AVC. Poucas vezes vi um ator tão significativo que conseguiu levar toda a verdade do personagem. E dizer que antes de estrear neste filme, ele era um motorista de ambulância. Fez outros poucos filmes, até a década de 70. Ao lado dele, o então jovem Reginaldo Faria, como Grilo Peru, um playboy que coloca todo o plano a perder, e Jorge Dória, como o delegado que investiga o assalto. Grande Otelo, em grande forma, e Ruth de Souza, também magistral, também compunham o elenco. Para se ver a qualidade do filme, basta conferir os prêmios que conseguiu, além dos de Eliezer Gomes: Prêmio Saci 1962 de Melhor ator coadjuvante (Jorge Dória), Melhor atriz coadjuvante (Dirce Migliáccio) e Melhor Roteiro (Roberto Farias); Prêmio Governador do Estado de São Paulo 1962, Melhor Roteiro (Roberto Farias); V Festival de Cinema de Curitiba 1962, Melhor atriz coadjuvante (Luíza Maranhão); Festival de Cinema da Bahia 1962, Melhor Filme, Melhor atriz coadjuvante (Luíza Maranhão), Melhor Roteiro (Roberto Farias); Festival de Lisboa, Portugal, 1963, Prêmio Caravela de Prata; e Festival de Arte Negra, Senegal, 1963, Prêmio Especial do Júri. Além disso, representou o Brasil no Festival de Veneza de 1962. Um filme imperdível que merece ser redescoberto por quem gosta de um bom filme.

À esquerda, Reginaldo Faria e Grande Otelo.
À direita, Eliezer Gomes com Ruth de Souza.