
Como no primeiro post desta página falei sobre um filme do diretor Roberto Farias (para quem não sabe, irmão do Reginaldo Farias e um dos mais importantes de toda a história do cinema brasileiro), neste segundo post (prometo que os próximos não irão demorar tanto), volto a comentar sobre um outro filme dele que me impressionou bastante. Na primeira vez que o vi, ainda era pré-adolescente e fiquei impressionado com a qualidade de O Assalto ao Trem Pagador, um filme brasileiro de 1962, do gênero policial. É baseado em fatos, o assalto ao trem de pagamentos da Central do Brasil ocorrido em 1960, no Rio de Janeiro. Enquanto a polícia chega a suspeitar de uma quadrilha de bandidos internacionais pela ousadia do plano, os assaltantes se misturam à realidade da pobreza e da violência brasileiras. É um dos filmes mais importantes do cinema brasileiro e conta com um elenco afiado e de grande qualidade, partindo-se do protagonista, Tião Medonho, vivido pelo ator Eliezer Gomes. Pelo filme ele ganhou os prêmios de melhor ator do Festival de Cinema da Bahia; Revelação no V Festival de Cinema de Curitiba e Revelação no Troféu Cinelândia. Morreu em 1979, aos 58 anos, vítima de um AVC. Poucas vezes vi um ator tão significativo que conseguiu levar toda a verdade do personagem. E dizer que antes de estrear neste filme, ele era um motorista de ambulância. Fez outros poucos filmes, até a década de 70. Ao lado dele, o então jovem Reginaldo Faria, como Grilo Peru, um playboy que coloca todo o plano a perder, e Jorge Dória, como o delegado que investiga o assalto. Grande Otelo, em grande forma, e Ruth de Souza, também magistral, também compunham o elenco. Para se ver a qualidade do filme, basta conferir os prêmios que conseguiu, além dos de Eliezer Gomes: Prêmio Saci 1962 de Melhor ator coadjuvante (Jorge Dória), Melhor atriz coadjuvante (Dirce Migliáccio) e Melhor Roteiro (Roberto Farias); Prêmio Governador do Estado de São Paulo 1962, Melhor Roteiro (Roberto Farias); V Festival de Cinema de Curitiba 1962, Melhor atriz coadjuvante (Luíza Maranhão); Festival de Cinema da Bahia 1962, Melhor Filme, Melhor atriz coadjuvante (Luíza Maranhão), Melhor Roteiro (Roberto Farias); Festival de Lisboa, Portugal, 1963, Prêmio Caravela de Prata; e Festival de Arte Negra, Senegal, 1963, Prêmio Especial do Júri. Além disso, representou o Brasil no Festival de Veneza de 1962. Um filme imperdível que merece ser redescoberto por quem gosta de um bom filme.


À esquerda, Reginaldo Faria e Grande Otelo.
À direita, Eliezer Gomes com Ruth de Souza.

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